Contos (O despertar)
Meu primeiro conto, estou aprendendo com o tempo. Espero que gostem. Comentem, participem.. dê opniões =)
Sempre fiquei
pensando no que seria a vida daqui um tempo. Talvez não seja nada demais se
você não deixar a sua marca. Seja qual for à intenção deve valer para algo. Já
que é impossível visualizar algo que você pense ou acredite, se não expor.
Não sou ninguém
importante, ou pelo menos assim penso. Apenas uma criaturinha que em meio a
madrugada pensa na vida, imagino que assim como muitos se perturba de tal forma
que a insônia aparece e se faz de rogada para não partir.
Foi assim
durante algum tempo, mas não faço ideia de quanto tempo. E nem quanto tempo
levou para que finalmente pudesse perceber.
E agora me vendo
em meio a isso tudo, apenas observando, sem sentir literalmente os pés sobre o
chão. Flutuando como uma onda sem destino, apenas deixando o destino levar. Revivendo em minhas recordações as primeiras páginas da vida.
Deitada sob a
cama olhando ora para as paredes, ora para o teto. Meus olhos ardem, mas não consigo dormir. Há algo que me incomoda
profundamente, porém, ainda não sei o que pode ser.
Minha cabeça
lateja, e não tenho recordações de ter acordado. Devo ter dormido o dia
inteiro, devo estar sonhando. Mas, como pode ser sonho se minha mente comanda
exatamente o que quero? Será demasiado desatino da vida?
Só sei que por
enquanto prefiro continuar a olhar para o teto o que lembra coisas confusas,
lembra-me a infância, a adolescência e a atual fase adulta.
Tinha dois anos
quando mudei com a minha mãe para essa casa, era tudo tão
simples, vivia feliz nessa casa humilde, que transmitia tranquilidade. Havia apenas a pura inocência de uma criança. Até que houve um período em que precisei morar com uma tia.
Ela era
extrovertida, tinha um toque de timidez que não transparecia de forma alguma,
eram raras as vezes que a via tímida. Sempre fazia o que queria, colocava as
regras.
Eu era
extremamente tímida, e atrapalhada. Apenas observava, aquela menina comandar
tudo. Passávamos o dia montando uma casinha de lençóis pela casa inteira,
transformávamos o nosso espaço em um castelo imenso. E sempre que ficávamos
sozinhas, Ella insistia que toda casa, havia um casal, e que seriamos marido e
mulher. Lógico Ella era a mulher.
Pegávamos várias
bonecas, com os quartos devidamente separados, brincávamos de colocar os filhos
para dormir. E cada uma ia para um quarto dormir naquele nosso castelo. Mas,
uma certa vez, foi diferente. Puxou-me pelo braço, levou-me até o seu espaço –
quarto, e disse que casais dormiam juntos. E que o marido dava beijo de boa
noite em suas mulheres. Beijei-lhe a bochecha.
- Não é assim
que se faz! - Ella dizia brava.
- e como é?
- beija na boca,
assim ó! - Ella veio no intuito de me beijar, mas afastei-me assustada.
- primas não se
beijam. É errado!
- eu sei que
você quer!
Ella sentia a
minha respiração ofegante, sentia vontade. Mas não havia coragem. Éramos
crianças, nunca havia feito aquilo. Não sabia de onde ela tinha tirado aquela
ideia e nem porque sentia tudo aquilo, mas com ela tão próxima de mim. Sentia um impulso me jogando para ela.
- vamos! Se você
não gostar nunca mais falo nada. Mas, se não tentar. Não brinco mais com você!
Ella deitou,
fechou os olhos. Ficou esperando talvez que assim, minha timidez fosse embora,
e tivesse coragem. Aproximei-me dela, sentia meu coração acelerar, as mãos
suadas. E quando cheguei um pouco mais perto. Ouvimos barulho na porta da
frente da casa. Era minha tia chegando. Corremos cada uma para um canto, e
fingimos dormir. E ali adormeci.
Depois disso,
viajei para morar um tempo em outra cidade com o meu pai. Ella e eu não nos
vimos mais, durante um longo tempo. E apesar do tempo e da distancia nada fazia com que esquecesse aquela
experiência, aquele misto de sentimentos novos, que confundia minha cabeça. Meu
coração dizia uma coisa, mas o corpo respondia com outra.
Continua...

