quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Capitulo 1

Contos (O despertar) 

 

Meu primeiro conto, estou aprendendo com o tempo. Espero que gostem. Comentem, participem.. dê opniões =)


Sempre fiquei pensando no que seria a vida daqui um tempo. Talvez não seja nada demais se você não deixar a sua marca. Seja qual for à intenção deve valer para algo. Já que é impossível visualizar algo que você pense ou acredite, se não expor.

Não sou ninguém importante, ou pelo menos assim penso. Apenas uma criaturinha que em meio a madrugada pensa na vida, imagino que assim como muitos se perturba de tal forma que a insônia aparece e se faz de rogada para não partir.

Foi assim durante algum tempo, mas não faço ideia de quanto tempo. E nem quanto tempo levou para que finalmente pudesse perceber.

E agora me vendo em meio a isso tudo, apenas observando, sem sentir literalmente os pés sobre o chão. Flutuando como uma onda sem destino, apenas deixando o destino levar.  Revivendo em minhas recordações as primeiras páginas da vida.

Deitada sob a cama olhando ora para as paredes, ora para o teto. Meus olhos ardem, mas não consigo dormir. Há algo que me incomoda profundamente, porém, ainda não sei o que pode ser.

Minha cabeça lateja, e não tenho recordações de ter acordado. Devo ter dormido o dia inteiro, devo estar sonhando. Mas, como pode ser sonho se minha mente comanda exatamente o que quero? Será demasiado desatino da vida?

Só sei que por enquanto prefiro continuar a olhar para o teto o que lembra coisas confusas, lembra-me a infância, a adolescência e a atual fase adulta.

Tinha dois anos quando mudei com a minha mãe para essa casa, era tudo tão simples, vivia feliz nessa casa humilde, que transmitia tranquilidade. Havia apenas a pura inocência de uma criança. Até que houve um período em que precisei morar com uma tia.


Lá encontrei Ella minha prima, um ano mais nova.
Ela era extrovertida, tinha um toque de timidez que não transparecia de forma alguma, eram raras as vezes que a via tímida. Sempre fazia o que queria, colocava as regras.

Eu era extremamente tímida, e atrapalhada. Apenas observava, aquela menina comandar tudo. Passávamos o dia montando uma casinha de lençóis pela casa inteira, transformávamos o nosso espaço em um castelo imenso. E sempre que ficávamos sozinhas, Ella insistia que toda casa, havia um casal, e que seriamos marido e mulher. Lógico Ella era a mulher.

Pegávamos várias bonecas, com os quartos devidamente separados, brincávamos de colocar os filhos para dormir. E cada uma ia para um quarto dormir naquele nosso castelo. Mas, uma certa vez, foi diferente. Puxou-me pelo braço, levou-me até o seu espaço – quarto, e disse que casais dormiam juntos. E que o marido dava beijo de boa noite em suas mulheres. Beijei-lhe a bochecha.

- Não é assim que se faz! - Ella dizia brava.

- e como é?

- beija na boca, assim ó! - Ella veio no intuito de me beijar, mas afastei-me assustada.

- primas não se beijam. É errado!

- eu sei que você quer!

Ella sentia a minha respiração ofegante, sentia vontade. Mas não havia coragem. Éramos crianças, nunca havia feito aquilo. Não sabia de onde ela tinha tirado aquela ideia e nem porque sentia tudo aquilo, mas com ela tão próxima de mim. Sentia um impulso me jogando para ela.

- vamos! Se você não gostar nunca mais falo nada. Mas, se não tentar. Não brinco mais com você!

Ella deitou, fechou os olhos. Ficou esperando talvez que assim, minha timidez fosse embora, e tivesse coragem. Aproximei-me dela, sentia meu coração acelerar, as mãos suadas. E quando cheguei um pouco mais perto. Ouvimos barulho na porta da frente da casa. Era minha tia chegando. Corremos cada uma para um canto, e fingimos dormir. E ali adormeci.


Depois disso, viajei para morar um tempo em outra cidade com o meu pai. Ella e eu não nos vimos mais, durante um longo tempo. E apesar do tempo e da distancia  nada fazia com que esquecesse aquela experiência, aquele misto de sentimentos novos, que confundia minha cabeça. Meu coração dizia uma coisa, mas o corpo respondia com outra.



Continua...

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